Mais de três décadas de estudo e prática da doutrina

                                                   Por Luciano dos Anjos

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        bytes) Grupo dos Oito foi fundado no dia 13 de maio de 1976, numa quinta-feira. Às 20:30 horas aconteceu a primeira reunião, na casa da Leda Pereira Rocha, na rua Paes de Andrade nº 29, Sampaio, Rio de Janeiro, RJ, com a minha presença e mais a do Abelardo Idalgo

Magalhães, do Newton Boechat e do Ricardo Lúcio de Souza.

A partir de 22 de janeiro de 1998 o Grupo dos Oito, que nunca trocou de nome, esteve constituído por mim e mais Luciano dos Anjos Filho, Jorge Pereira Braga, Leda Pereira Rocha, Pedro Miguel Calicchio, Alexandre da Silva Costa e ainda a participação dos familiares Paula Mendes dos Anjos, Viviane Albuquerque da Rocha Calicchio, Janete da Silva Costa, Patrícia da Silva Costa e Vilmar Leal Costa. Também participam, eventualmente, das reuniões de estudo (não das mediúnicas), as meninas Bruna Mendes dos Anjos e Luciana Mendes dos Anjos, respectivamente de dez e oito anos. Jamais foram forçadas a nada. Elas mesmas, espontaneamente, decidiram participar, o que têm feito com intervenções surpreendentes, considerada, é claro, a idade de cada uma.

O Grupo dos Oito, portanto, já conta mais de três décadas de atividades ininterruptas.

Em 25 de fevereiro de 2003, houve a desencarnação da Leda. Para o seu lugar convidei, em 29 de julho de 2004, a Jônia Maria Valesine. No dia 13 de dezembro de 2007, incorporei ao grupo, como membros efetivos, a Paula, a Viviane, a Janete, a Patrícia e o Vilmar, que nunca ocultaram sua satisfação, fazendo cada qual, mais de uma vez, franca exposição sobre a importância do grupo e o quanto já haviam aprendido nas reuniões, em quase onze anos como participantes.

Desde 29 de janeiro de 2009, o Alexandre da Silva Costa e familiares não pertencem mais ao Grupo dos Oito.

Pouco depois, fomos surpreendidos pela desencarnação do Pedro Miguel Calicchio, vitimado por um enfarte fulminante, na manhã de 8 de março de 2009. Trata-se de perda amarga, pois, além de muito estimado por todos, eram seus os oportunos comentários e ensinamentos que sempre trazia à mesa, relativos a vários assuntos, mas, em especial, sobre as obras de Kardec e Roustaing. Na última reunião a que compareceu, na quinta-feira, dia 5 de março de 2009, fez questão de deixar gravada, em palavras emocionadas e em tom de despedida, sua particular lealdade a mim e sua fidelidade aos princípios que norteiam há mais de três décadas o Grupo dos Oito. A certa altura, frisou:

Eu queria fazer um pequeno registro para a eternidade. Eu me sinto muito bem em estar aqui com a minha esposa, em todas as reuniões, nesses últimos onze anos. Esse registro vai ficar para os meus filhos, para os meus netos, se eu puder passar para eles, enquanto eu estiver encarnado. Se eu desencarnar antes, você, Luciano, passa para eles. Porque o Grupo dos Oito me deixa profundamente renovado no dia-a-dia, mesmo numa semana difícil. A minha profissão é uma profissão cármica, eu tenho perfeita consciência disso, dos atos que eu cometo, meus erros, meus acertos. Então, que fique registrado que me sinto muito bem, intimamente, em cada reunião de que eu participo, aqui no Grupo dos Oito. Pelo menos nesses últimos onze anos. E, com certeza absoluta, estarei sempre presente, mesmo que esteja impossibilitado de comparecer. (Pedro Miguel Calicchio era advogado militante.)

Comoventes palavras de reconhecimento e solidariedade às vésperas da desencarnação, dando testemunho do muito que soube incorporar ao seu patrimônio espiritual em termos cristãos e espíritas.

Para preencher-lhe a vaga, renovei, em 28 de maio de 2009, convite feito há cerca de vinte anos (na ocasião não lhe foi possível aceitar), ao Marco Aurélio Assis, de judicioso comportamento espírita, a exemplo de seu pai e meu incondicional amigo Armando de Oliveira Assis, desencarnado em 1988. Armando foi dos mais profícuos presidentes da Federação Espírita Brasileira, cuja biografia diamantina pode ser lida noutro local desta home-page.

Assim, desde a fundação, o grupo vem prosseguindo nas suas atividades normais, reunindo-se, a partir de 22 de janeiro de 1998, às quintas-feiras, às 21 horas, na residência do Luciano dos Anjos Filho, na rua Dr. Pereira dos Santos nº 11 – ap. 401, na Tijuca, Rio de Janeiro, RJ. Daquele ano de 98 a esta parte – devo registrar –, meu grande amigo Divaldo Pereira Franco tem vindo ao grupo, ao ensejo da sua presença no Rio de Janeiro, quando ocorrem as tradicionais conferências públicas do consagrado médium.

Apesar da presença, na primeira reunião, de apenas quatro titulares, também integravam o grupo a Leda Pereira Rocha, o Roberto Silveira e o Gilberto Perez Cardoso, que foram convidados a participar das reuniões desde o início. Outro mais convidado foi o Elias Souza Neto que, embora tendo aceito, só pôde comparecer uma única vez, em 12 de agosto de 1979, apenas para justificar suas ausências e se despedir, pois teria de afastar-se do Rio.

Mas, a história do Grupo dos Oito, a rigor, começou bem antes daquela primeira reunião. Cumpre recordar para registro do movimento espírita. Eu e o Abelardo Idalgo Magalhães participávamos da diretoria da Federação Espírita Brasileira, na qualidade respectivamente de assistente do presidente, então o inesquecível Armando de Oliveira Assis, e ele de vice-presidente. Nas eleições de agosto de 1975, o Armando não quis renovar sua candidatura, a despeito de vários companheiros do Conselho Superior (que elege a diretoria) terem ido à sua casa dissuadi-lo em vão da desistência. O Armando deixou ainda de atender pedido de Bezerra de Menezes, no mesmo sentido, através da excelente médium Maria Cecília Paiva. Diante disso, eleita outra diretoria, nós três tomamos novos rumos, dada também nossa saída do Grupo Ismael, célula-máter da Casa de Ismael. O Abelardo exercitava ali sua experiente mediunidade, ao lado do excelente e muito humilde Olímpio Giffoni (principal médium do Grupo Ismael e o único que recebia o espírito Ismael, guia espiritual do Brasil, nas mensagens de natureza de cunho universalista). O Armando, que presidia ao grupo, era o doutrinador, tarefa em que às vezes eu colaborava.

Ausentes do Grupo Ismael, seguimos caminhos diferentes no que respeitava à presença em reuniões mediúnicas e de estudos. O Armando retornou às suas origens, voltando a participar do Grupo Espírita Cultivadores da Fé e da Verdade, instalado, em carater emergencial, na sede da Fundação Marietta Gaio, no Rio de Janeiro. Eu também era integrante daquele modelar grupo, e foi dali que havíamos saido, eu e o Armando, para ingressar no Grupo Ismael, da Federação Espírita Brasileira. Mas não o acompanhei naquele retorno de 1975. Preferi manter-me afastado dessas reuniões, prosseguindo apenas como redator de artigos doutrinários e palestrante. (Mantive porém minha reunião cristã do lar, às vezes com alguns convidados, como por exemplo o Newton Boechat, um de meus melhores e mais fiéis amigos.) Já o Abelardo optou também por trilhar o caminho de volta. Antes de ir para a FEB, era ele o presidente do Grupo Espírita Fabiano, no Méier, Rio de Janeiro. À procura de um espírita competente na área financeira para assumir a função de diretor-tesoureiro da FEB, indiquei o Abelardo ao então presidente Antônio Wantuil de Freitas, que logo o chamou. Depois, com o consentimento e instruções do Armando de Oliveira Assis, candidato a presidente, convidei o Abelardo para ocupar a vice-presidência, cargo que exerceu até o último momento com responsabilidade e eficiência. Ao término da administração do Armando, voltou o Abelardo para o Grupo Espírita Fabiano. Consultou-me antes. Eu ponderei que não ia dar certo, por inúmeras razões que então declinei. Ele no entanto manteve sua intenção e voltou. Ficou muito pouco tempo por lá. Logo se afastaria, como eu previra.

Transcorridos alguns meses, durante um de nossos rotineiros encontros, exatamente na terça-feira, dia 27 de abril de 1976, falou-me da sua “necessidade imperiosa” de exercitar a mediunidade, já que a pausa prolongada lhe suscitava reflexos bastante desagradáveis. Sabemos bem o quanto isso é possível. Então ele me fez uma proposta: organizar comigo um grupo particular, inicialmente apenas de estudo da doutrina e, mais adiante, de trabalhos também mediúnicos, pois ele – repetiu-me uma vez mais – precisava atuar mediunicamente. Fui-lhe muito franco. Só concordaria se o grupo fosse rigorosamente pautado nas idéias e diretrizes que eu havia exposto nas páginas do Reformador, durante o ano de 1973, quando escrevi a série "O Atalho – Análise Crítica do Movimento Espírita", depois enfeixada em livro pela Publicações Lachâtre. E mais: que as normas do grupo fossem estabelecidas por mim e que somente pudesse participar quem aceitasse a revelação contida na obra Os Quatro Evangelhos, de J.-B. Roustaing. O Abelardo concordou de imediato, pois sempre endossara as minhas teses de O Atalho (o que me confessara durante o longo período que atuou como vice-presidente da FEB, confissão aliás acompanhada por todos os demais diretores). Afiançou-me ainda: só haveria o grupo se eu participasse. Em palavras mais claras: sem mim ele não participaria de nenhum grupo particular, preferindo, noutra hipótese, buscar um outro centro espírita sério para exercitar suas faculdades. Diante disso, fiquei de definir as normas do grupo e de apresentá-las a ele no dia seguinte, 28 de abril.

Além de contar com a boa memória, estou retirando este histórico das minhas agendas. Nunca, até hoje, deixei de registrar nada, e como curiosidade transcrevo o que leio na página do dia 27 de abril de 1976: “21 horas – reunião cristã do lar”. Na página do dia 28: “Almocei com o Antero de Carvalho, que me deu algumas notícias da FEB. Antes o Ismael Tavares me comunicara que ontem o Thiesen mandou chamá-lo para assinar o livro dos candidatos ao Conselho Superior." Naquele dia, por volta de 15 horas, ocorreu o mais interessante. Sou chamado ao telefone. Segue-se em minha agenda o teor dessa conversa que tive com alguém da FEB, mas que ainda hoje não vejo conveniência de revelar. Ficará para o futuro, por decisão de meu filho, herdeiro de meus arquivos. Só para encerrar este parágrafo de velhos registros, transcrevo o que releio no dia 29 de abril: “Hoje, em seu escritório, Abelardo contou-me seu encontro fortuito com o Thiesen, na sede da FEB, terça-feira última”.

Bem, voltemos ao fio da história do Grupo dos Oito. Assim foi que, somente na sexta-feira, dia 30, resumi as normas que se aplicariam ao grupo, o qual nem nome deveria ter, a não ser pura e simplesmente “grupo espírita”. Jamais teria denominação. Virou Grupo dos Oito por mero referencial. Éramos inicialmente oito e esse detalhe levou à identificação nominal. Poderíamos ser mais ou menos. Mas éramos oito e só por isso acabou conhecido como Grupo dos Oito. Nada tem aí de cabalístico, numerológico, esotérico. E preferiu-se não alterar mais esse número de componentes porque foi e é considerado um número razoável, próprio para o tipo de reuniões que fazemos até hoje; e também porque sempre temos alguns participantes a mais, ou seja, parentes próximos cuja presença foi tradicionalmente admitida.

Da minha agenda constam, pois, as normas em forma de tópicos bem lacônicos. Foram apenas lançadas ali para serem passadas ao Abelardo e aos demais participantes, mesmo assim verbalmente, pois era condição minha que não estatuíssemos formalmente nada, absolutamente nada. As normas mínimas seriam do conhecimento de todos mas sem jamais serem exaradas no papel. Vou reproduzi-las aqui nos termos em que foram agendadas e apresentadas na primeira reunião do grupo e tal como eram verbalmente repetidas sempre que acontecia a admissão de um companheiro novo. Vejamos as notas, ora em redação um pouco mais aclarada do que os tópicos então lançados.

Qualquer substituição por afastamento ou por desencarnação somente se efetivará por unanimidade. Não haverá atas nem qualquer tipo de burocracia; apenas um livro de presença para valor histórico. Não haverá chefe, ninguém manda em ninguém. Não será feito nenhum tipo de estudo sistematizado na forma por exemplo de curso; a pauta será sempre livre e aberta, conforme exposto no Reformador à época da administração do Armando de Oliveira Assis como presidente da FEB. O grupo estudará todo e qualquer assunto, sem restrições, desde que enfocado à luz do espiritismo. Não haverá nenhum ritual, nenhum símbolo, nem se caracterizará qualquer tipo de misticismo, como copo na mesa, toalha branca especial, flores, cantorias, etc. Qualquer dos participantes fará prece, sem ordem, sem vez, sem intimação, sem obrigação. Da mesma forma, qualquer um proporá e fará o estudo da noite. Os comentários e as opiniões serão absolutamente livres. A liberdade será total, plena, absoluta. Os parentes mais próximos poderão estar presentes na qualidade de freqüentadores. (A bem dizer, não tem sentido que a mulher, o marido, um filho, uma irmã, movidos pelos mesmos ideais cristãos-espíritas, não possam também estar presentes, cabendo a cada membro efetivo do grupo medir a conveniência.) As manifestações mediúnicas seguiriam, em tese, o modelo do Grupo Ismael da FEB: jamais ocorreriam com simultaneidade, e sendo destinadas muito mais à doutrinação propriamente dita do que ao serviço de pronto-socorro, embora este pudesse acontecer eventualmente, nos casos em que os dirigentes espirituais considerassem oportuno e inevitável. Será permitida a presença de convidados especiais, sem, contudo, caráter de frequência; apenas para que conheçam a mecânica e os critérios seguidos pelo grupo e, se quiserem, venham a organizar grupos similares. Mas o convite terá de ser autorizado por todos, pois certo nome que seja respeitável para um pode não sê-lo para outro, produzindo a sua presença, no caso, constrangimentos e reflexos na desejada harmonia mental. O grupo não terá ligação com nenhuma instituição nem se reunirá nas dependências de nenhuma delas: as reuniões serão na casa de algum dos membros efetivos ou será alugado um local apropriado. A base de estudo e a prática do grupo assentarão no binômio Kardec-Roustaing. Uma eventual situação de afastamento (de membro efetivo ou de seu parente) só poderá acontecer por conduta antidoutrinária no grupo ou mesmo fora dele. O grupo se reunirá às 20:30 horas, às quintas-feiras, mesmo dia da semana das reuniões centenárias do Grupo Ismael da Federação Espírita Brasileira, embora essa escolha, por ter aspecto secundário, não seja irreversível. É objetivo do grupo divulgar seus estudos por qualquer meio para conhecimento e aproveitamento dos espíritas em geral.

Aí estão as normas que, como já frisei, nunca foram nem serão formalizadas jamais. Da página da minha agenda correspondente àquele dia 30 de abril de 1976 ainda constam três registros, em separado, na vertical: “Newton Boechat – Armando. Falar Leda Rocha. Alugar?”
Traduzo melhor esses registros: convidar para o grupo o Newton Boechat e o Armando de Oliveira Assis. Falar com a Leda Rocha, quer dizer, perguntar-lhe, através do Abelardo, se ela cederia sua residência (um casarão) para as reuniões. O Abelardo levantara essa possibilidade; caso não fosse possível, partiríamos para a alternativa do aluguel de alguma sala. Na verdade, logo que consultada a Leda Pereira Rocha aquiesceu e ainda afirmou – o que sempre repetia – que era seu grande desejo me conhecer. De fato, não nos conhecíamos pessoalmente, embora eu acompanhasse de perto e de longe seu trabalho à frente do Grupo Espírita Regeneração, dada a sua firme posição estatutária em favor do estudo da obra de Roustaing. Eu tinha da Leda Rocha excelente impressão. O presidente anterior da instituição – Alcides Neves de Castro – era meu amigo e eu o conhecera desde muito antes, nas dependências da Federação Espírita Brasileira, na avenida Passos, que cedia algumas salas para reuniões particulares: era o caso do pessoal do Regeneração, do grupo do Ismael Gomes Braga e, também, do Grupo Espírita Cultivadores da Fé e da Verdade, aquele de que eu e o Armando de Oliveira Assis fazíamos parte. Depois, sendo o Wantuil de Freitas o presidente da FEB, convidou a todos para procurar outros locais. Sempre achei a medida acertadíssima, apesar de alguns companheiros haverem ficado aborrecidos. Afinal, a sede da FEB não devia servir de ponto de reunião para outras atividades senão as suas próprias e, em termos de grupos, o Grupo Ismael deveria ser o único a ocupar suas dependências. Muito judiciosa, portanto, a medida, na minha opinião.

Bem, a partir do meu acerto com o Abelardo, a primeira providência foi o encontro com a Leda Pereira Rocha. Ela ofereceu-nos um chá em sua casa e abraçamo-nos, no dia, como velhos amigos do passado. Disse-me com empolgação: “Eu sempre quis conhecer você. Agora estou feliz.” Quanto ao nosso desejo, de pronto ela concordou em ceder sua casa para as reuniões semanais. Depois, seguiram-se os convites. Nós dois, eu e o Abelardo, logo cogitamos do nome do Newton Boechat, que vinha visitar-me quase diariamente em meu trabalho. É óbvio que chancelei de imediato. O Abelardo ponderou que era importante que partisse de mim o convite, achando que somente assim ele aceitaria, dada a nossa estreita e fiel relação de amizade. Tal aconteceu. E dali em diante fui aprovando ou desaprovando os demais nomes aventados. Ninguém foi admitido sem a minha prévia aprovação. Calo sobre os que rejeitei por questão de pura desimportância neste relato histórico e para não suscitar mágoas.

O convite ao Boechat foi por nós efetivado durante almoço que tínhamos o hábito de fazer no famoso restaurante Petit-Paris, no largo da Carioca, bem na virada da rua da Carioca. Confirmou-nos na ocasião que jamais participara de nenhum grupo em termos de compromisso formal; dava muitas presenças, mas nunca se comprometera com nenhum. A partir do convite para integrar nosso grupo, aceitou e dele participou até à desencarnação, com rígida assiduidade e contribuição extraordinária. Depois da sua concordância, perguntei se ocorria alguém das suas relações e ele propôs o nome do Gilberto Perez Cardoso, estudante de medicina. Eu o conhecera através do Felipe Salomão, destacado espírita militante de Franca, SP, e meu grande e estimadíssimo amigo. Guardava impressão muito boa do Gilberto e aprovei seu nome, na certeza de que nunca me decepcionaria. A Leda Pereira Rocha, por sua vez, me sugeriu o nome do Roberto Silveira, que frequentava o Regeneração. Quis conhecê-lo antes e para isso fomos almoçar no restaurante do Clube Ginástico Português, no centro da cidade. Gostei dele. Era rustenista, tinha uma conversa inteligente, sincera e agradável. Aprovei. Quanto ao Ricardo Lúcio de Souza, costumava vir à minha reunião cristã do lar; portanto, eu já o conhecia há bastante tempo e o incluí no grupo. Tanto mais que vivia me pedindo orientação para freqüentar alguma reunião espírita. Recomendei-lhe algumas, mas nunca se adaptava. Com o surgimento do meu grupo, seria natural que o chamasse e ele, é claro, não pensou duas vezes. O único de quem nunca sequer ouvira falar e que de certa forma aprovei no escuro foi o Elias Souza Neto. O Gilberto Perez Cardoso fez a indicação, ressaltando-lhe as qualidades e trazendo-o ao meu encontro, numa apresentação muito rápida, porém simpática. Acreditei na conceituação do Gilberto e aquiesci no convite. No entanto, como já narrei, o Elias acabou não ingressando no grupo.

Assim é que todos, sem exceção, foram aprovados por mim. Mesmo porque, sem minha aprovação não haveria o grupo, já que o Abelardo – primeiro a sugerir a sua formação – só participaria juntamente comigo e mediante as normas por mim apresentadas; a Leda, sem o Abelardo, estaria fora também; o Boechat só entrou porque era muito meu amigo e foi bem explícito na sua aceitação, jamais acertada antes com outras pessoas em toda a sua vida. Ora, se ainda restasse alguém querendo reunir-se sem nós, seria um outro grupo qualquer, menos o que ficou conhecido como Grupo dos Oito. Havia vários outros nomes de minha confiança e meu convívio, que eu mesmo poderia incluir, mas preferi, por delicadeza, pedir sugestões. Assim, devo deixar claríssimo para registro histórico: ninguém me escolheu, a não ser o Abelardo; eu escolhi a todos. Inclusive, em última análise, ao próprio Abelardo Idalgo Magalhães, meu velho e querido amigo de muitos e muitos anos. Ainda que a idéia do grupo fosse dele, fui eu que o aceitei ao meu lado. E aceitei porque sempre o admirei, não apenas quando o indiquei para a FEB, mas quando sugeri seu nome para vice-presidente e quando o conheci, há pelo menos 400 anos atrás (vide meu poema “Versos Alexandrinos por uma Amizade de 400 Anos”, nos meus livros Eu Sou Camille Desmoulins, Publicações Lachâtre, e Dedicatórias , Editora Celd). No mais, nesta última encarnação fui o grande confidente do Abelardo. Era comigo que ele abria o seu coração fraterno, generoso e... sofrido. Resta acrescentar que, desde minha saída do Grupo Ismael, recebi muitos chamados para participar de diferentes grupos e nunca os aceitei.

Nesses termos é que considerei sempre o Abelardo Idalgo Magalhães como o idealizador do grupo; e, como fundadores, aqueles primeiros convidados, ainda que nem todos tenham sequer comparecido à primeira reunião, acontecida, como já historiei, às 20:30 horas do dia 13 de maio de 1976. A própria Leda Pereira Rocha, dona da casa gentilmente cedida, não pôde estar presente, tendo em vista compromisso naquele dia no Regeneração. Ela ainda não havia ajustado sua atuação lá com a participação no Grupo dos Oito, toda quinta-feira. O Roberto Silveira também esteve ausente. Ambos só iniciaram a freqüência no dia 24 de junho daquele ano. O Gilberto Perez Cardoso, por sua vez, faltou seguidamente, pois cursava o último ano de medicina e seus estudos tomavam-lhe todo o tempo. Colou grau em 7 de dezembro de 1976, quando já estavam suspensas nossas reuniões devido ao final do ano. Ele só irá participar pela primeira vez no dia 27 de janeiro do ano seguinte, em 1977. Detalhe: algum tempo depois ajustamos o horário para as 21 horas, o qual perdura até hoje.

Bem, com o correr dos anos vieram as substituições. No lugar do Elias entrou o Carlos Alberto de Matos Peixoto, sobrinho do Roberto Silveira. Nessa qualidade de parente ele já freqüentava o grupo, como agregado. Assim, sua incorporação aos oito foi natural e sem objeções, por proposta do tio. Aceitei de pronto, no que fui acompanhado pelos demais. Mas ele mesmo, por motivos particulares, veio depois a afastar-se e concordei com a indicação do Luiz Almeida Cardoso, feita pelo Ricardo. É que eu já o conhecia, por ter ido participar da minha reunião cristã do lar, também a pedido do Ricardo. Portanto, antes de apresentar o nome do Luiz aos demais, o Ricardo conversou comigo, consultou-me, eu aprovei e a indicação se realizou. Mais tarde aconteceu a saída do Roberto Silveira. Confessou que havia aprendido muito no Grupo dos Oito, que devia muito de seu conhecimento às nossas reuniões, mas que doravante preferiria dedicar-se integralmente às suas tarefas no Grupo Espírita Regeneração, onde iniciara um trabalho de atendimento individual a pessoas envolvidas em processos obsessivos. Da parte dele, seus esforços e comentários trouxeram-nos também proveitosa contribuição. Para seu lugar indiquei meu filho Luciano dos Anjos Filho, que já freqüentava o grupo desde o segundo ano de fundação. Sua efetivação era esperada e, com isso, ele passou a funcionar como médium de incorporação, lado a lado com o Abelardo, alternando-se a tarefa entre os dois a cada quinzena.

Em 22 de agosto de 1990 ocorreu a surpreendente (para nós, encarnados) desencarnação do Newton Boechat. Era (e continua sendo) um de meus melhores amigos, figura internacionalmente conhecida e ouvida como das mais competentes, notadamente na missão da oratória. Uma personalidade excepcional sob todos os pontos de vista, e que só altas horas da noite saía de minha casa, quando vinha tratar de questões doutrinárias e saborear suas sopinhas preferidas, que minha mulher preparava... Dele fui também o confidente privilegiado, ao ponto de ter sido em meu nome que deixou um envelope lacrado para me ser entregue quando desencarnasse. Sua vaga ficou muito tempo sem ser preenchida. Até que para ela a Leda Pereira Rocha apontou repentinamente o Gustavo Perez Cardoso, irmão do Gilberto e que, nessa condição de parente, já vinha há algum tempo participando das reuniões. Ninguém contestou. Nem eu, por ser indicação da Leda.


Mais tarde acontece o afastamento do Ricardo Lúcio de Souza. Como me parecesse adequado, convidei para substituí-lo o Adésio Alves Machado. Eis que tivemos ainda de enfrentar uma segunda perda tão amarga quanto a do Boechat. O Abelardo Idalgo Magalhães sai do Rio para ir morar no nordeste e deixa nosso convívio semanal. Admitindo que a viagem fosse menos demorada, chegamos a considerar guardar-lhe a vaga até seu regresso. Mas ele iria de vez e nada pôde ser conciliado. Para o lugar recomendei ao Gilberto Perez Cardoso que propusesse o nome do David Coutinho, instruindo-o para que não disssesse a ninguém tratar-se de mais uma escolha minha. Ele pertencia à diretoria da Casa de Lázaro, no Méier, Rio de Janeiro, uma nobre instituição de assistência social a crianças desvalidas, cuja presidente fora, durante décadas, minha velha e nunca esquecida amiga Ruth Santana, de quem guardo carinhosas cartas. Incorporado ao Grupo dos Oito, o Coutinho assumiu tarefas mediúnicas, particularmente de atendimento às requisições colocadas sobre a mesa. Até à sua chegada e desde que o Abelardo viajara, os serviços mediúnicos estiveram a cargo exclusivamente do Luciano dos Anjos Filho, que foi quem sugeriu que o Coutinho também exercesse nas reuniões a sua faculdade.

O Adésio Alves Machado não continuou no grupo. Em 1997, acumulando outros afazeres, optou pelo desligamento. Para a vaga aberta, meu filho Luciano indicou, a pedido meu, o Alexandre da Silva Costa, indicação que foi aprovada por unanimidade, conforme o acertado em nossas normas virtuais. O Alexandre sempre esteve ligado à Fundação Marietta Gaio, idealizada por meu saudoso amigo Jorge Gaio, e instituição a que o médium Francisco Cândido Xavier assiduamente comparecia, quando vinha ao Rio de Janeiro. (Ao tempo de Jorge Gaio a Fundação Marietta Gaio sempre fora muito bem conduzida. O Chico só dava presença ali e na Federação Espírita Brasileira.)

Naquele mesmo ano de 1997, alguns acontecimentos se sucederam e resultaram, em 15 de janeiro de 1998, no desligamento de outros integrantes do grupo. Decidiram sair do Grupo dos Oito, comunicando-me um a um a sua decisão, que imediatamente aceitei. A Leda Pereira Rocha, de sua parte, me reiterou, mais de uma vez, não ter saído. Reiteração que me fez até a desencarnação, em fevereiro de 2003. A partida de nossa Ledinha foi muito sentida pelos seus verdadeiros amigos, aqueles que foram vê-la no hospital, compareceram ao sepultamento e à sessão pública que o Grupo Regeneração realizou em sua homenagem, durante a qual fui um dos que testemunharam a grandeza daquele espírito maravilhoso.

Para o lugar da Leda, como foi dito anteriormente, convidei a Jônia Maria Valesine, que passou a integrar o grupo em 29 de julho de 2004.

O Grupo dos Oito difere, na sua atuação, praticamente de tudo que se conhece, aproximando-se apenas, quanto às atividades mediúnicas, do modelo do Grupo Ismael, da Federação Espírita Brasileira. Pelo menos, segundo o meu conhecimento e, quanto ao Grupo Ismael, até enquanto dele fiz parte, sob a presidência do Armando de Assis. Depois eu não soube mais como passou a funcionar. Houve sempre uma diferença na separação dos trabalhos. No Grupo Ismael, o estudo e achamada desobsessão aconteciam, há mais de cem anos, em uma mesma reunião semanal. No Grupo dos Oito, a cada semana, alternadamente, é desenvolvido um tipo de trabalho: ora é mediúnico, ora é exclusivamente de estudo. Nas reuniões de estudo não existe sistematização, nos moldes, aliás, do que se conhece de mais avançado no campo da moderna pedagogia, em que currículos, apostilas, planos de aula, didatismo, professores, tudo isso é absolutamente rejeitado. Não há o mais mínimo espírito de escolarização. Os temas de estudo são propostos por qualquer participante e abordados nos termos do princípio da afinidade de interesses (ver tópico 12, cap. V do meu livro O Atalho , lançado em 1995 pela Publicações Lachâtre). A liberdade e a descontração são totais. Qualquer obra, qualquer fonte pode ser suscitada e consultada a todo momento. O que vale é aprender, e aprender da melhor maneira possível. Abre-se e fecha-se a reunião com uma prece, que é feita aleatoriamente por quem quiser fazê-la. Essa metodologia, portanto, difere completamente do Grupo Ismael.

Na reunião mediúnica há alguns cuidados especiais a serem observados. Naturalmente ela difere em termos de procedimentos. Há critérios mais ou menos rigorosos que não podem ser desconsiderados. Afinal, estamos já então no campo da ciência espírita e em ciência há leis a serem respeitadas. Uma sessão mediúnica é sempre um trabalho de laboratório. Assim, após a acomodação à mesa, é feita a leitura de uma página escolhida a esmo (ou, se se quiser, selecionada de propósito) constante de qualquer bom livro espírita. É o chamado preparo do ambiente. Na obscuridade, alguém faz a prece de abertura, ao término da qual um mentor nos traz breve alocução relativa aos trabalhos da noite. Mantida a concentração, temos a presença do espírito a ser doutrinado. Encerrado o diálogo, há o comparecimento do mesmo ou de outro mentor para comentários alusivos à manifestação e visando à orientação fraterna. Tudo sempre em tom muito amoroso. Mentor que se preza não briga, não estrila, não reclama, não agride; qualquer restrição ou corrigenda reveste a mais fraternal sutileza e o encantamento da lição oportuna. Enfim, alguém faz a prece de encerramento e estarão terminados os trabalhos que, regra geral, se estendem por 1 hora, 1 hora e pouco. Nada de fanatismos nos horários. (Ver O Livro dos Médiuns, cap. XXIX, nº 333: "A exigência de pontualidade rigorosa é sinal de inferioridade, como tudo o que seja pueril." )

Sempre fui o doutrinador do Grupo dos Oito, incumbência delicada que às vezes eu transferia para o Gilberto Perez Cardoso. Um doutrinador e um substituto eventual é sem dúvida o critério mais razoável nesse tipo de reunião. Não são aceitas, no Grupo dos Oito, manifestações simultâneas, ou seja, por mais de um médium ao mesmo tempo. É, aliás, o que recomenda a boa doutrina; salvo casos muito especiais, raríssimos, cujas circunstâncias justifiquem muito bem. Fora de tais circunstâncias (caso ocorram, por descuido do médium, presenças simultâneas), tenho por norma (como ocorria no Grupo Ismael) não tomar conhecimento da segunda manifestação. Ignorado, o espírito invariavelmente se retira ou se mantém calado. No máximo concedo dar-lhe atenção após o término da primeira conversação, naturalmente, se ele ainda estiver presente e se tempo e condições o propiciarem.

O Grupo dos Oito nunca foi um grupo de pronto-socorro, como há muitos outros, destinados apenas a aliviar uma dor, lenir um sofrimento imediato. É claro que esse trabalho é útil e importante, mas não é característica do Grupo dos Oito, que acolhe manifestações geralmente longas, demoradas, de efetiva doutrinação. Trata-se de um paciente e amoroso trabalho de convencimento, para o que nada é eficaz a não ser a argumentação, o raciocínio bem pesado, o aproveitamento de oportunidades narrativas e, evidentemente, dosado tudo com muito amor, muita caridade, muita paciência. Sem esses elementos, nenhuma doutrinação funciona. Ora, um trabalho assim requer tempo, razão por que, não raro, um mesmo espírito retorna à conversação por várias sessões. Ninguém se convence, nem ninguém muda de repente. O tom do diálogo irá desde o mais simples ao mais complexo, correspondente é óbvio ao nível intelectual do manifestante.

Não se aplicam no Grupo dos Oito recursos de violência, tanto verbais quanto fluídicos. Não se “amarram” espíritos, não são feitos nem aceitos desafios, não são dados passes constrangedores. Passes só são ministrados para balsamizar, para levar medicação, para transmitir ajuda. Mesmo assim se se perceber que valerá a pena. Há espíritos que não estão nem aí para esses agrados.  Eventualmente, após uma sessão mais densa, o médium que serviu à manifestação pode receber, se quiser e se pedir, alguns passes reparadores. São convenientes.

Como se pode observar e eu tenho a preocupação de esclarecer, levamos em conta uma diferença importante entre as reuniões de estudo e as de desobsessão. Comparo essa diferença à mesma que existe, por exemplo, entre um grupo de estudo de médicos cirurgiões e esse mesmo grupo constituído numa equipe concentrada para proceder a uma operação na unidade cirúrgica. No primeiro caso, a atenção estará voltada para o estudo, para a troca de idéias, permuta de informações, mas sem nenhuma formalidade, todos completamente descontraídos, cada um falando quando quer, o que quer e do jeito que quer, naturalmente observados modos e educação. Pode até haver outras coisas sobre a mesa, além de livros e publicações úteis, sem qualquer prejuízo para o estudo em andamento. No segundo caso, nas reuniões de desobsessão, já há que respeitar algumas regras e serem seguidas certas rotinas disciplinadoras. Existirá um determinado responsável pelos trabalhos e sua orientação deverá ser levada em conta. Um cirurgião não se distingue numa reunião de estudos ao lado de outros cirurgiões quando todos são competentes; mas, na hora da cirurgia, um deles terá o comando. Pois é assim mesmo que acontece no Grupo dos Oito. E é sem dúvida por isso que estamos em atividade há mais de três décadas ininterruptas e, com certeza, ainda por isso é que muito temos aprendido e avançado.

No correr dessas décadas, o Grupo dos Oito já promoveu os mais variados e interessantes estudos. Aplicando a metodologia proposta em meu livro O Atalho, longe da sistematização que não leva ao aprendizado livre e consciente, temos alcançado excelente índice de aproveitamento, medido naturalmente pela satisfação racional que as conclusões nos ensejam. Motiva-nos apenas – repito – a afinidade de interesses no amplo espectro de assuntos e questões que se ilumina diante do estudioso sincero. Nesse longo período de existência, tivemos a satisfação de registrar algumas visitas ilustres, dentre as quais – desculpem-me alguma omissão involuntária – a da Cláudia Bonmartin (radicada em Paris, sempre que vem ao Brasil visita o Grupo dos Oito), do Osmar Ramos Filho, autor de uma das mais extraordinárias obras de análise e comprovação da mediunidade, do Ernani Francisco de Sena Sampaio, respeitado oncologista, cujos estudos clínicos em torno da eficácia da prece são conhecidos nos círculos médicos, e Pedro Paulo de Oliveira, admirado por sua integridade de verdadeiro espírta pratricante da verdadeira caridade. E, como já dito no início deste texto, Divaldo Pereira Franco, na atualidade, o maoir médium do mundo.

Finalizo este histórico com considerações sobre a home-page ora disponibilizada na rede. Por sugestão de meu filho, o Grupo dos Oito achou por bem aliar seus objetivos aos recursos da era do computador. Preocupam-nos, no momento, os complicadores inventados pelo movimento espírita e que deterioram a saudável divulgação de temas e idéias indispensáveis à expansão e consolidação da doutrina, dentro dos padrões éticos exigíveis. Preocupa-nos aquilo a que chamo igrejificação. Nos moldes da liberdade que cada espírita tem para expor e defender seus pensamentos (questão nº 833 de O Livro dos Espíritos ), o Grupo dos Oito se vale, pois, da internet para ampliar debates, aprofundar questões graves, defender posições, fazer enfim o que qualquer espírita pode e deve fazer sem precisar se submeter a quaisquer entidades ou a quaisquer sistemas de controle e opressão. É bom que se firme e se convalide no movimento espírita um pacto: áureo que seja, mercê de Deus, mas que seja tão-somente de união. A unificação organizacional, também, é apropriada,  porém sem formalizações, senão aquelas que simbolizem uma grande molécula, com a Federação Espírita Brasileira no centro, no núcleo, e, orbitando à sua volta, as entidades estaduais, as internacionais e, virtualmente, todos os espíritas do mundo. Se quiserem é óbvio. Mesmo porque, estou me referindo ao centenário programa doutrinário da Federação Espírita Brasileira. O dia em que esse programa for alterado, outro será o núcleo da molécula. Se, em contrapartida, não optarem por nenhuma adesão, ainda assim continuarão espíritas. Como fiéis seguidores do Cristo e da doutrina, seguirão vivenciando, onde quer que se encontrem a verdadeira caridade, encontrarão por certo a salvação, na promessa sábia do missionário Allan Kardec. É na busca desse objetivo que surge a home-page do Grupo dos Oito.

Um último esclarecimento. Não me inculpem, por favor, de contraditório por repelir energicamente a pregação religiosa pela televisão e valer-me aqui da internet. É pensamento uniforme no Grupo dos Oito que a televisão só serve negativamente à doutrina, por muitas razões que não cabe alinhar neste histórico, mas que um jornalista com mais de cinqüenta anos de profissão conhece muito bem. Televisão pode servir para informar, debater, entrevistar; pregar, nunca! Já a internet, muito ao contrário, é bem-vinda, ainda que apresente também um ou outro aspecto menos apropriado. Basta registrar, para expor a diferença capital: a televisão joga dentro da nossa mente, com todo o seu fascínio, o que não é de fato buscado, ainda que quem busca seja livre para não fazê-lo; o computador, no entanto, é mero instrumento para que nossa mente busque o que verdadeira e livremente procura, onde quer que se encontre e de maneira a atender cada necessidade individual, cada afinidade de interesse. Através do computador é o usuário, é o estudioso que faz seu próprio currículo, que cria a sua própria apostila, que elabora o seu CD-Rom particular.


Seja bem-vindo, amigo internauta, à home-page do Grupo dos Oito.

Rio de Janeiro, 13 de maio de 2000

(24º aniversário do Grupo dos Oito)

Texto atualizado em  29 de maio de 2009

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